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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Brincadeiras indígenas

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SOL E LUA - üacü rü tawemüc’ü
Essa brincadeira também é conhecida em outras localidades com outros nomes como PASSARÁ DE BOMBARÉ.
Crianças dispostas em coluna por um, segurando na cintura do que está à frente. Duas outras crianças, representando o SOL E A LUA, fazem uma "ponte", mantendo as mãos dadas acima. Cantando, as crianças passam sob a ponte várias vezes. Numa das vezes o Sol e a Lua prendem o último ou os dois últimos. Perguntam-lhe para que lado querem ir. A criança escolhe e vai colocar-se atrás do Sol ou da Lua. E assim continuam até terminar. Quando todas as crianças passam, têm-se dois partidos. A duplas mantém os braços dados, e todos mantêm-se segurando na cintura do colega da frente. Vão puxar-se, para ver que partido ganhará. Ganhará aquele grupo que conseguir "puxar" o outro. E puxam várias vezes, marcando ponto para quem consegue derrubar ou desarticular o outro partido.
Nesse jogo vê-se não somente o uso da força. Surge a questão do poder de decisão, que é colocado em evidência. É dada à criança a opção de escolha do partido ao qual quer pertencer. Além disso é também trabalhada a noção de equipe, de conjunto, pois é todo um partido fazendo força para puxar o outro partido.

CABAS - Maë
Essa é uma braincadeira conhecida em todas as comunidades por nós visitadas. As crianças são divididas em dois grupos: um de roçadores e outro que representa as cabas. Essas sentam-se frente à frente numa pequena roda, cada uma segurando na parte de cima da mão do outro, como se fosse o ninho de cabas. Cantam e balançam as mãos para cima e para baixo. Os roçadores fazem movimentos com os braços, como se estivessem roçando sua plantação até chegar próximo ao ninho de caba. Um deles, sem perceber bate no ninho e as cabas saem a voar e a picar os roçadores. É um salve-se quem puder.
As cabas ou marimbondos são insetos muito comuns nas matas. Uma picada de caba pode ocasionar muita dor, febre e moleza na pessoa, que às vezes fica um dia sem poder trabalhar, dependendo do local onde foi picado. A moral dessa história é que "quem mexe em casa de caba acaba picado por ela".
O nosso informante, Senhor João Farias, morador dessa localidade, explicou algumas passagens da história dos Tikunas, inclusive a origem dessas brincadeiras. Ele disse que "Yoí foi o primeiro homem que existiu. Ele era só no mundo. Então, perto dele existia essa caba. O nome dessa caba era MATIE. Mas essa caba não queria que Yoí existisse, nem que ninguém existisse no mundo. A caba vivia brigando o tempo todo com Yoí. Quando Yoí tirou as crianças do seu joelho (a origem dos Tikunas conta que Yoí e seus irmãos nasceram do joelho de Nhupata, pai de todos), a caba continuou querendo matá-lo e as crianças também. As cabas viviam numa casa, construída no galho da árvore, que balançava ao vento. Então essa história conta essa briga do Yoí com as cabas".
É exatamente essa a história que as crianças contam nessa brincadeira. Até os movimentos do ninho balançando na árvore é bem representado pelas mãos colocadas uma sobre a outra.

GAVIÃO E GALINHA - O’ta i inyu.
Uma criança mais forte é escolhida para ser o gavião, ave forte e comedora de pintinhos. Outra criança representa a galinha, que fica de braços abertos, tendo atrás de si todos os seus pintinhos. O gavião corre para tentar comer um dos pintos, mas só pode pegar o último. A galinha tenta evitar dando voltas e mais voltas, impedindo que o gavião pegue seu pintinho. O gavião só pode pegar o pinto pelo lado. Não pode tocar por cima. Quando ele consegue, come o pintinho, ou seja, a criança fica de fora da brincadeira. Algumas vezes a criança passa a ser também gavião.
Essa é uma brincadeira comum entre as crianças. Quase todos conhecem. Em outra localidade pode até mudar de nome, mas sempre há a figura do gavião como aquela fera que vem para comer os pequenos animais que não podem se defender.
O Sr. João Farias explica que "essa brincadeira existe desde o tempo de Yoí. Esse mesmo povo, os Tikunas, existiam e então apareceu uma fera, no caso o gavião, que na gíria se chama INYU. Essa fera vinha pegar crianças e velhos que não sabiam se defender. Um dia a fera deixou de aparecer. E para não morrer a tradição, hoje as crianças brincam de gavião e galinhas, representando a história, que um dia foi verdadeira".

MELANCIA - Woratchia
Crianças representam as melancias, ficando agachadas, em posição grupada, com a cabeça baixa, espalhadas pelo terreno. Existe o dono da plantação de melancias, que fica cuidando, com dois cachorros. Existe outro grupo, que representa os ladrões.
Os ladrões vêm devagar, e experimentam as melancias para saber quais estão no ponto de colheita, batendo com os dedos na cabeça das crianças. Quando encontram uma melancia boa, enfiam-lhe um saco, e saem correndo com ela. É aí que o cachorro corre atrás do ladrão para evitar o roubo.
Quer nos parecer que essa brincadeira é representativa do mundo diário e cotidiano dos Tikunas. A melancia é uma das frutas mais cultivadas por eles na várzea. A figura do ladrão é representativa daqueles que não trabalham, preferindo roubar o que encontram pronto. E o cachorro, sempre fiel ao seu dono, é a segurança do dono da plantação.

BRIGA DE GALO 


Crianças aos pares, em apoio numa das pernas, segurando no tornozelo da perna livre flexionada para trás. A outra mão fica ao peito. Ao sinal, uma criança tenta desequilibrar a outra, empurrando com o ombro. Ganhará aquele que conseguir ficar mais tempo em equilíbrio, ou seja, aquele que levar menos tombos.
Vê-se que este é um jogo de disputa acirrada. Entram aqui as qualidades de equilíbrio, força e atenção. Cada criança quer manter-se de pé, e faz de tudo para derrubar o colega. Um não pode perder o controle sobre o outro, sob pena de ser derrubado.
O Senhor João nos explica a origem dessa brincadeira: "Havia um Rei, que tinha uma filha. E foi trabalhar na casa do rei um rapaz chamado João. Este apaixonou-se pela filha do rei e ela por ele. João roubou a moça. E para ganhar o Rei, sabendo que ele gostava de briga de galo, João treinou dois galos e levou ao rei para que ele apreciasse a briga". 

VIDA
Jogo de bola semelhante à "queimada". Dois partidos, em seus campos. Uma criança lança a bola e tenta acertar em alguém do outro partido. Se conseguir acertar e a bola cair no solo, a criança "queimada" sai do jogo.

CURUPIRA
Uma criança fica com os olhos vendados. A outra vem e faz com que aquela dê três voltas girando. Depois, ela pergunta: "que que tu perdeu"? E ela responde "perdi uma agulha; perdi um terçado; E todas as crianças fazem suas perguntas. Quando chega a vez da última criança, esta pergunta-lhe o que o Curupira quer comer. Quando o curupira tira a venda e vê que não tem a comida que ele pediu, sai correndo atrás das crianças e todos saem em disparada para não serem apanhados. Quem for apanhado passa a ser presa do curupira ou vai desempenhar o seu papel
Essa brincadeira assemelha-se a algumas do nosso conhecimento, tipo "cabra cega". Não conseguimos entender por que chama-se Curupira. O Curupira é uma figura lendária amazônica que tem a cabeça virada para trás. Não há nada na brincadeira que lembre a figura do Curupira.


PIRARUCU
Em círculo, de mãos dadas, uma criança no centro. Essa criança que está no centro desloca-se e ao pegar no braço do colega pergunta-lhe "qual é essa madeira?". A outra criança responde pelo nome de uma madeira da região. A seguir, o "pirarucu" apoia-se e senta-se nos braços de dois colegas, que o lançam para o ar. Prossegue assim até terminar a roda. Quando termina, começa a fuga. O pirarucu corre e tenta sair do "lago" simbolizado pela roda. O colegas, de mãos dadas, tentam impedir a saída com os braços, que representam madeiras fortes. Quem não consegue evitar a saída vai substituí-lo.

FESTA DE SAPO
Crianças mantêm-se de braços abertos, abraçando o tronco de uma árvore. Cada uma vai chegando e colocando-se atrás do outro que já lá está, na mesma posição. Quando todos estão posicionados, iniciam os movimentos para frente e para trás, cantando, imitando a voz do sapo.

TUCUXI
Essa brincadeira é feita dentro d’água. São dois grupo de crianças, representando os botos e os pescadores. Os botos permanecem mergulhando e boiando. Quando saltam fora d’água, os pescadores tentam acertá-los com as flechas. Quem for flechado, morre e se quiser, troca de papel.
O boto Tucuxi é uma figura das mais tradicionais no imaginário popular amazônico. As histórias de boto são muito contadas e todas remetem ao fato de que o boto aparece nas festas, como um homem bonito, de branco e usando chapéu. É sempre disputado entre as mulheres, dada a sua classe e beleza. Mas no final da festa ele some jogando-se nas águas, retornando à sua condição de boto, deixando moças grávidas, na terra, cujos filhos não terão pais. Talvez por isso, na brincadeira, o objetivo maior é matar o boto.

CORRENTE
Crianças dispostas em fileira, de mãos dadas. A última será o guia a puxar a corrente, e virá passar por baixo dos braços das duas primeiras. A penúltima criança da corrente nunca passa por baixo, ficando com o braço cruzado à frente de corpo. Na continuação, passarão por baixo dos braços de cada dupla, até terminar. E ao terminar, estarão todos de braços cruzados à frente do corpo.



BRINQUEDOS CONFECCIONADOS



ARCO E FLECHA E BALADEIRA (estilingue)
Antigamente as crianças brincavam muito de arco e flecha e de baladeira. Porfiavam principalmente em duas situações: para ver quem "balava" mais passarinho, ou para ver quem flechava mais calango.
Para confeccionar a baladeira as crianças usavam a seguinte estratégia: apanhavam uma tala de uma folha de árvore, tipo talo de mamão, que tem um orifício. Tampavam um lado e enchiam de látex. Deixavam secar e depois retiravam o fio grosso de borracha para fazer o brinquedo.
As flechas e os arcos eram confeccionadas por eles, ensinados pelos pais e avós. Usavam o talo de buriti para confeccioná-los. As crianças juntavam-se e treinavam, procurando melhorar a pontaria. Para treinar, matavam os calangos.

COQUITA
A coquita é a semente de uma árvore, tendo a forma de um pequeno sino. Para preparar a coquita, atrela-se um cabinho de madeira amarrado à parte externa dessa semente, deixando o fio com um comprimento de pelo menos 30 cm. Para executar o jogo, segura-se pelo cabo com uma só mão, colocando-o embaixo da coquita . A seguir movimenta-se lançando a coquita para cima, de forma que execute um giro no ar e caia de boca para baixo, exatamente em cima do cabo de madeira.
Repete-se contando o número de acertos, até que o jogador erre. Ganha quem fizer o maior número de pontos. Há quem acerte mais de duzentas vezes.
A coquita parece tipicamente tikuna, e a árvore também é típica da região.

PIÃO
O pião é um tipo de brincadeira muito encontrado em muitas comunidades principalmente em São Leopoldo e na área de São Paulo de Olivença. As crianças brincam muito de pião e há várias formas de disputa.
1. Traça-se uma linha no solo e joga-se o pião para ver quem acerta na linha.
2. Trata-se um círculo no solo e joga-se o pião para ver quem acerta mais próximo do centro.
Em ambos os casos, quem está mais perto da linha, retoma seu pião na mão, e joga em cima do outro pião, tentando colocá-lo mais longe. Às vezes o pião é ferido, partindo-se.
3. Lançar ao ar, e aparar em uma das mãos.
O pião é confeccionado pela própria pessoa.

PETECA (bola de gude)
Antigamente era feita de barro. Confeccionavam 40, 50 bolinhas. Quando secavam, estavam prontas para uso. Há vários tipos de disputa, inclusive a dinheiro.
1. Colocar bolinhas na linha traçada no chão. A alguns metros, outra linha é traçada. Dessa linha é que os jogadores vão fazer o jogo. Têm de jogar e acertar as bolinhas que estão na linha. Quando acertam, ganham uma bolinha.
2. Roda traçada no solo, com as bolinhas dentro. A dois ou três metros traça-se uma linha, que será o ponto de partida. Desta linha os jogadores jogam as bolinhas para acertar as que estão no círculo, levando-as para fora. Quem acertar, ganha a bolinha.
3. Outra forma é traçar um triângulo, e colocar uma bolinha em cada vértice. Da mesma linha distante os jogadores vão jogar, para tentar acertar nas bolinhas, tirando-as do lugar. Quem acerta, leva.

MOTO-SERRA
É confeccionada pelas crianças e pode ser feita de duas tampinhas de refrigerante, tipo chapinhas, aplainadas. Furam-se dois buracos no centro das tampinhas, e passa-se um fio por entre eles, amarrando-se as pontas. Prende-se nos dedos médios e com movimentos de aproximação e distanciamento dos dedos, a cordinha vai enrolando e desenrolando, e as tampinhas, parecendo duas rodinhas, giram ora num sentido, ora no outro. A disputa consiste na tentativa de cortar as linhas do brinquedo do colega. Se tocar no corpo, é possível que corte. Por isso, moto-serra.

LANÇAMENTO DA BOLINHA DE BARRO
A crianças confeccionam bolinhas de barro, espetando-as na ponta de um espeto. A seguir lançam ao rio, para ver quem lança mais distante. Hoje já quase não se vê essa disputa.

Referência Bibliográfica:
Artemis Soares - Fac. de Educação Física da Universidade do Amazonas - Brasil
Doutoranda da FCDEF - Universidade do Porto – Portugal Retirado do site http://www.motricidade.com/

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