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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Teórico Howard Gardner


Howard Gardner é considerado o teórico das inteligências múltiplas. Descreveu várias aptidões além do raciocínio lógico-matemático, causando grande impacto nos meios pedagógicos.

Gardner é formado no campo da Psicologia e da Neurologia, o cientista norte-americano Howard Gardner causou forte impacto na área educacional com sua teoria das inteligências múltiplas, divulgada no início da década de 1980. Seu interesse pelos processos de aprendizado já estava presente nos seus primeiros estudos de pós-graduação, quando se interessou pelas descobertas do suíço Jean Piaget ( 1896-1980). Por outro lado, a dedicação de Gardner à música e às artes, que começo em sua infância, o levou a supor que as noções até ali consagrada a respeito das aptidões intelectuais humanas eram parciais e insuficientes.

Até então, o padrão mais aceito para avaliar a inteligência eram os testes de QI, criados nos primeiros anos do século 20 pelo psicólogo francês Alfred Binet ( 1857-1911) a pedido do ministro da Educação de seu país. O QI ( quociente de inteligência) média, basicamente, a capacidade que hoje se conhece como lógico-matemático, mas durante muito tempo foi tomado como padrão para aferir se as crianças correspondiam ao desempenho escolar esperado para a idade delas. Além disso, ainda persistia a crença de qum nível de inteligência "adequado" garantia também coordenação motora e percepção sensorial satisfatórias.

Para elaborar sua teoria, ele partiu da observação do trabalho dos gênios. Gardner foi buscar evidências também no estudo de pessoas com lesões e disfunções cerebrais, que o ajudaram a formular hipóteses sobre a relação entre as habilidades individuais e determinadas regiões do órgão. Finalmente, o psicólogo se valeu do mapeamento encefálico mediante novas técnicas surgidas nas décadas recentes. Suas conclusões, como a maioria das que se referem ao funcionamento do cérebro, ainda são mais empíricas do que fisiologicamente comprovadas. Ele concluiu, a princípio, que existem sete tipos de inteligência:

1- lógico-matemática: capacidade de realizar operações numéricas e fazer deduções.

2- Linguística: habilidade de aprender idiomas e de usar a fala e a escrita para atingir objetivos.

3- Espacial: disposição para reconhecer e manipular situações que envolvam apreensões visuais.
4- Físico-cinestésica: potencial para usar o corpo para resolver problemas ou fabricar produtos.
5- Interpessoal: capacidade de entender as intenções e os desejos dos outros e consequentemente de se relacionar bem com eles.
6- Intrapessoal: inclinação para conhecer e usar o entendimento de si mesmo para alcançar certos fins.
7- Musical: aptidão para tocar, apreciar e compor padrões musicais.
Mais tarde, Gardner acrescentou à lista as inteligências natural ( reconhecer e classificar espécies da natureza) existencial ( refletir sobre questões fundamentais da vida humana) e sugeriu o agrupamento da interpessoal e da intrapessoal numa só.
A implicação mais óbvia da teoria das inteligências múltiplas é que há talentos diferenciados segundo atividades específicas. O físico Albert Einstein ( 1879-1955) tinha certamente uma excepcional aptidão lógico-matemática, mas provavelmente não dispunha do mesmo pendor para outros tipos de habilidade. O mesmo pode ser dito sobre a veia musical de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) ou a inteligência físico-cinestésica de Pelé. por outro lado, segundo a teoria de Gardner, embora essas capacidades sejam independentes, raramente funcionam de forma isolada.
O que leva as pessoas a desenvolver suas capacidades inatas são a educação que e as oportunidades que encontram. Para Gardner, cada indivíduo nasce com um vasto potencial de talentos ainda não moldado pela cultura, o que só começa a ocorrer por volta dos 5 anos. Segundo ele, a Educação costuma errar ao não levar em conta nem estimular os vários potenciais de cada um. Pior ainda, é muito comum que essas aptidões acabem sendo sufocadas pelo hábito nivelador de grande parte das escolas. Preservá-las já seria um grande serviço para o aluno.
"O escrito criativo faz o mesmo que a criança que brinca: cria um mundo de fantasia que leva a sério, enquanto o separa nitidamente da realidade", diz Gardner.
Gardner e a Escola
Muitas escolas, inclusive no Brasil, se esforçaram para mudar seus procedimentos em função das descobertas de Howard Gardner. A maneira mais difundida de aplicar a teoria das inteligências múltiplas é tentar estimular todas as habilidades potenciais dos alunos quando se está ensinando um mesmo conteúdo. "As escolas que têm métodos para desenvolver para desenvolver todas essas áreas estão se saindo melhor com as crianças de hoje", diz Gardner. As melhores estratégias partem da resolução de problemas. "Em todos os assuntos, é possível explorar a linguagem específica de cada inteligência para diferentes grupos de alunos, que na atividade seguinte se ocuparão de outra, até que toda a classe seja estimulada em todas as inteligências pessoais", exemplifica Celso Antunes. Segundo Gardner, não é possível compensar totalmente a desvantagem genética com um ambiente estimulador da habilidade correspondente, mas condições adequadas de aprendizado sempre suscitam alguma resposta positiva por parte do aluno. Gardner costuma dizer que a teoria das inteligências múltiplas não pode definir um método pedagógico, mas muitos de seus livros contêm observações e indicações importantes sobre a Educação. Em Mentes que Mudam, por exemplo, ele fala sobre a importância das histórias na formação das crianças como instrumento de identificação e de reflexão sobre o mundo a seu redor. Em O Verdadeiro, O Belo e o Bom, tira lições de experiências de países como Japão, Alemanha, Cingapura e Israele discute o papel da informática no ensino, além de enfatizar a necessidade de formar jovens que sintam prazer em aprender. Gardner atribui à escola duas funções essenciais: modelar papéis sociais e transmitir valores.
"A missão da educação deve continuar a ser uma confrontação com a verdade, a beleza e a bondade, sem negar as facetas problemáticas dessas categorias ou as discordâncias entre diferentes culturas", escreveu.
Pela própria natureza de suas descobertas, o trabalho de Gardner favorece uma visão integral de cada indivíduo e a valorização da multiplicidade e da diversidade.
Fonte: ( Reportagem In: Revista Nova escola, novembro de 2006)

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